CAPÍTULO 01 · PERCEPTRON

Como uma máquina aprende a tomar uma decisão?

Antes da matemática, experimente: entregue sinais ao neurônio, altere a importância de cada um e observe a decisão mudar.

Explorar o neurônio
InformaçõesPerceptron
combina evidências
Decisão

PARTE TEÓRICA · PERCEPTRON

Do neurônio artificial ao aprendizado.

01 · MODELO

Anatomia de um Perceptron

Leia o diagrama da esquerda para a direita: cada exemplo chega como números, esses números são ponderados, somados com um ajuste de referência e, por fim, convertidos em uma decisão.

Diagrama completo do Perceptron simples com entradas, pesos, bias, somador, função de ativação e saída
Fluxo completo: entradas → pesos → combinação linear com bias → ativação → saída.

1. Entradas · x₁ … xₙ

São as características que descrevem um exemplo. Em uma porta lógica, x₁ e x₂ valem 0 ou 1; em uma imagem, poderiam ser valores de pixels.

2. Pesos · w₁ … wₙ

Cada peso indica quanto uma entrada influencia a decisão. Um valor positivo favorece a ativação; um valor negativo atua no sentido oposto.

3. Combinador linear · Σ

Multiplica cada entrada por seu peso e soma os resultados. Essa soma representa a evidência acumulada pelo neurônio.

4. Bias · b / limiar · θ

Desloca a fronteira de decisão e ajusta o ponto de referência. As notações são equivalentes quando b = −θ.

5. Potencial · u

É o resultado antes da ativação: u = Σ(wᵢxᵢ) + b. No plano, a condição u = 0 define a fronteira.

6. Ativação e saída · g(u), ŷ

A função transforma o potencial u na previsão ŷ. No Perceptron clássico, o degrau produz uma saída binária: 0 ou 1. O símbolo ŷ significa “valor de y previsto pelo modelo”.

u = ∑ᵢ wᵢ · xᵢ + b
ŷ = g(u)

02 · TREINAMENTO

Errar, ajustar e repetir

Treinar significa apresentar exemplos ao modelo várias vezes. Uma época é uma passagem completa por todos os exemplos. A taxa de aprendizado η define o tamanho de cada correção: alta demais pode provocar oscilações; baixa demais torna o aprendizado lento.

1. ForwardCalcule u e a previsão ŷ.
2. ErroCompare o alvo y com ŷ.
3. AjusteAtualize pesos e bias.
4. ÉpocasRepita até convergir ou atingir o limite.

Regra de aprendizagem do Perceptron

erro = y − ŷ
wᵢ ← wᵢ + η · erro · xᵢ
b ← b + η · erro

O que significa y − ŷ?

Essa subtração mede a diferença entre a resposta correta e a decisão tomada pelo Perceptron.

y · resposta esperada

É o rótulo correto informado no conjunto de treinamento. Por exemplo, y = 1 significa que o exemplo pertence à classe positiva.

ŷ · resposta prevista

Lê-se “y chapéu”. É a resposta calculada pelo Perceptron depois da combinação linear e da função de ativação.

SituaçãoCálculoO que acontece
Acertou1 − 1 = 0 ou 0 − 0 = 0O erro é zero; pesos e bias não precisam ser alterados.
Deveria prever 11 − 0 = 1O erro positivo aumenta a tendência de o neurônio ativar para essa entrada.
Deveria prever 00 − 1 = −1O erro negativo reduz a tendência de o neurônio ativar para essa entrada.

Se os dados forem linearmente separáveis, a regra encontra uma solução em um número finito de atualizações. XOR é o contraexemplo clássico: seus pontos não podem ser separados por uma única reta.

ADALINE e Regra Delta

ADALINE calcula o erro na saída linear, antes de aplicar um limiar. Sua Regra Delta minimiza o erro quadrático médio usando o gradiente, produzindo um aprendizado mais suave.

APROFUNDAMENTO · BIAS

O bias define onde o neurônio começa a decidir.

O bias é um valor treinável somado ao potencial de ativação. Enquanto cada peso multiplica uma entrada, o bias entra diretamente na soma, como se estivesse ligado a uma entrada fixa de valor 1.

Ele permite que o Perceptron produza uma resposta diferente de zero mesmo quando todas as entradas valem zero. Geometricamente, alterar apenas o bias desloca a fronteira w₁x₁ + w₂x₂ + b = 0 sem mudar sua inclinação.

bnovo = batual + (η × erro)

A taxa de aprendizado η controla o tamanho da correção. Se o erro for positivo, o bias aumenta; se for negativo, diminui; se o erro for zero, não muda.

EXPERIMENTO 01

Monte uma decisão por dentro

Clique em uma etapa do neurônio para saber o que ela faz. Depois use os controles: tudo abaixo é recalculado na hora.

CLIQUE PARA EXPLORAR
× w
u negativo
u positivog(0.40) = 1

CONTROLES DIRETOS

Altere os valores do neurônio

EXPERIMENTO 02

Peso → equação → fronteira → classificação

Os mesmos pesos movem a reta w₁x₁ + w₂x₂ + b = 0. Ajuste os controles acima e observe cada etapa da montagem da função.

Azul = classe A · Laranja = classe B · Clique em um ponto para incluí-lo na exploração.

EXPLICANDO MATEMATICAMENTE CADA ETAPA

Agora veja o Perceptron aprender, conta por conta

As fases abaixo usam a mesma amostra da porta AND. A previsão começa errada; então acompanhamos exatamente como o erro corrige os pesos e o bias.

1FASE DE ENTRADA

Organizar os dados e o que deve ser aprendido

As entradas descrevem o exemplo. O alvo y informa a resposta correta somente durante o treinamento.

Vetor de entradax = [x₁, x₂]ᵀ = [1, 0]ᵀResposta esperaday = AND(1, 0) = 0

Leitura: como uma das entradas é zero, a porta AND deve responder zero.

2FORWARD · COMBINAÇÃO LINEAR

Calcular o potencial de ativação u

Cada entrada é multiplicada pelo seu peso. Depois, as contribuições são somadas ao bias.

Fórmula geralu = ∑ᵢ₌₁ⁿ(wᵢxᵢ) + bExpansão para duas entradasu = (w₁x₁) + (w₂x₂) + bSubstituiçãou = (0,40 × 1) + (0,30 × 0) − 0,20Somatóriau = 0,40 + 0 − 0,20 = 0,20

Leitura: x₁ contribuiu com 0,40; x₂ não contribuiu porque vale zero; o bias retirou 0,20. A evidência final foi u = 0,20.

3FORWARD · ATIVAÇÃO

Transformar u na previsão ŷ

O Perceptron clássico aplica a função degrau. Ela converte o potencial contínuo em uma decisão binária.

Função StepStep(u) = 1, se u ≥ 0
Step(u) = 0, se u < 0
Aplicaçãoŷ = Step(0,20) = 1

Leitura: como 0,20 é positivo, o modelo ativou e previu 1. O símbolo ŷ é a resposta prevista; ainda não sabemos se ela está correta.

4COMPARAÇÃO · ERRO

Comparar o alvo y com a previsão ŷ

O sinal do erro informa a direção da correção. Erro negativo significa que o neurônio ativou quando deveria permanecer desativado.

Erro de classificaçãoe = y − ŷSubstituiçãoe = 0 − 1 = −1

Leitura: a previsão está errada. O valor e = −1 mandará diminuir o potencial para esta entrada.

5AJUSTE · DELTAS

Calcular quanto cada parâmetro deve mudar

A taxa de aprendizado η controla o tamanho do passo. Cada peso também depende de sua entrada; o bias equivale a um peso ligado à entrada constante 1.

Regras geraisΔwᵢ = η · e · xᵢ
Δb = η · e
Correção de w₁Δw₁ = 0,20 × (−1) × 1 = −0,20Correção de w₂Δw₂ = 0,20 × (−1) × 0 = 0Correção do biasΔb = 0,20 × (−1) = −0,20

Leitura: w₁ e b diminuem. w₂ não muda porque x₂ vale zero e, portanto, não participou do erro desta amostra.

6AJUSTE · NOVOS PARÂMETROS

Somar cada correção ao valor atual

Os deltas calculados não substituem os parâmetros: eles são adicionados aos valores anteriores.

Novo peso w₁w₁′ = 0,40 + (−0,20) = 0,20Novo peso w₂w₂′ = 0,30 + 0 = 0,30Novo biasb′ = −0,20 + (−0,20) = −0,40
ParâmetroAntesCorreçãoDepois
w₁0,40−0,200,20
w₂0,3000,30
b−0,20−0,20−0,40
7VERIFICAÇÃO · NOVO FORWARD

Refazer a conta com os parâmetros atualizados

Para verificar o aprendizado, apresentamos a mesma entrada novamente, agora usando w₁′, w₂′ e b′.

Novo potencialu′ = (0,20 × 1) + (0,30 × 0) − 0,40u′ = 0,20 + 0 − 0,40 = −0,20Nova previsãoŷ′ = Step(−0,20) = 0Novo erroe′ = y − ŷ′ = 0 − 0 = 0

Resultado: para esta amostra, a previsão passou de 1 para 0 e o erro de classificação passou de −1 para zero.

8REPETIÇÃO · ÉPOCAS

Aplicar o ciclo ao conjunto inteiro

Uma época termina quando todas as amostras foram apresentadas uma vez. O treinamento é sequencial: cada amostra já recebe os parâmetros deixados pela anterior.

Amostra ANDx₁x₂y
1000
2010
3100
4111
Erro total da épocaErroₑₚ = |e₁| + |e₂| + |e₃| + |e₄|Critério didático de convergênciaErroₑₚ = 0 → todas as amostras foram classificadas corretamente

Importante: se ainda existir erro, começa outra época. O ciclo continua até convergir ou alcançar o limite definido.

LABORATÓRIO 01

Treine AND, OR e XOR

Acompanhe cada amostra, o erro e a atualização dos pesos do Perceptron.

Iniciar treinamento →

LABORATÓRIO 02

Desenhe grupos A e B

Adicione pontos e compare uma fronteira linear com uma fronteira não linear.

Explorar separação →

LABORATÓRIO 03

Resolva o XOR com uma MLP

Veja por que uma reta falha e como uma camada oculta cria as duas regiões necessárias.

Abrir laboratório XOR →

LABORATÓRIO 04

Separe três grupos

Crie pontos A, B e C e acompanhe três probabilidades e regiões de decisão.

Explorar três grupos →

PRÓXIMO CAPÍTULO

Um neurônio não resolve tudo.

O Perceptron classifica dados linearmente separáveis, mas não resolve XOR sozinho nem fronteiras complexas. O próximo passo é combinar neurônios.

Explorar fronteiras não lineares →